Entrevista – Filipe Sousa

A capacidade de trabalho e a paixão pela cidade de Barcelos, transformaram o Filipe Sousa num dos empresários mais bem-sucedidos do Concelho. O vício por transformar pequenos negócios em grandes sucessos corre-lhe nas veias e, garante, sem a ajuda e compreensão do seu braço direito, a Rita, nada seria possível. Até à data, são mais de 10 as empresas ou negócios que agarrou e, para satisfação dos barcelenses, são inúmeros os projetos ainda por concretizar.

 

LC: Sentiste alguma pressão para ser empresário por causa do teu histórico familiar ou foi uma decisão tua e fácil?

Filipe: A partir do momento em que o nosso pai é proprietário de um negócio, crescemos também a acreditar que o somos. No meu caso, desde muito jovem comecei a trabalhar e a assumir funções no Hotel Restaurante Bagoeira até chegar a Diretor Geral. Quando se chega a esse patamar não há como voltar atrás, as oportunidades surgem e temos de as aproveitar. Foi exatamente o que aconteceu com o Hotel do Terço, que neste momento está sob a minha gestão.

Sinceramente, nunca ponderei claramente ter outra profissão que não esta.

 

LC: Qual foi o melhor conselho de negócios que alguém te deu?

Filipe: Nunca descurando a educação fantástica que considero ter recebido dos meus pais, houve realmente duas pessoas que me deram conselhos sábios. O amigo Júlio Matos, que em tempos me disse: “Sê igual a ti próprio”; e o Prof. José Hermano Saraiva que fez questão de sublinhar o meu rigor e profissionalismo na Direção do Restaurante Bagoeira, apesar da minha tenra idade. Dedicação, profissionalismo e humildade são palavras que relembro frequentemente.

 

LC:O que farias de diferente se fosses forçado a começar do zero?

Filipe: Pergunta complicada… Quando comecei a trabalhar, deixei para trás o Ensino Secundário. A decisão foi calculada com base no retorno financeiro que começaria a ter, já que quando somos jovens queremos ter a nossa independência. Embora hoje já tenha concluido o 12º ano e tenha várias formações na área da Restauração e de Direção Hoteleira, esta questão de abandonar os estudos seria algo a repensar.

Como acredito que a formação é primordial, ter uma experiência profissional fora do país também seria uma mais valia. As oportunidades surgiram mas, por motivos familiares e profissionais, não consegui cumpri-las totalmente. Acredito, no entanto, que esse momento ainda chegará!

 

LC:De todos os negócios que geres qual deles te apaixona mais?

Filipe: O que mais gosto me deu, sem sombra de dúvidas, foi a Restauração. O facto de poder lidar com os clientes diretamente enche-nos a alma.

Para além disso, existiram outros projetos nos quais participei, e ainda participo, e pelos quais sou completamente apaixonado: o Mambo, a Festa Lembrar Amigos, o Ai! Cruzes e o Conciliu Bar.

A escolher um dos quatro, diria que o mais desafiante foi o Ai! Cruzes. Quando disse que traria as Feiras Novas para Barcelos, ninguém acreditou. Hoje sabemos que o crescimento e a projeção da Festa das Cruzes aumentaram consideravelmente e que um dos responsáveis foi o Ai! Cruzes.

A festa Lembrar Amigos é tida como uma festa mais glamourosa e com um conceito diferente. A satisfação de ver uma festa destas acontecer é muito grande. Conseguimos cumprir o objetivo principal, que era juntar velhos amigos num só local. Eu próprio reencontrei pessoas e amigos que não via há anos!

Relativamente ao Conciliu Bar, foi um grande desafio. Em 2013 encontrei um Bar completamente apagado, que nos primeiros 6 meses me deu imenso trabalho, a mim e ao meu sócio, o Francisco. Felizmente, com as pessoas certas, um projeto novo e os pés bem assentes na terra, conseguimos torna-lo num caso de sucesso. No próximo dia 20 de Maio, o Conciliu Bar faz 25 anos e o objetivo é comemorar com todos os que fizeram parte da sua história.

 

LC: Como é que manténs a mente desperta ao gerir tantos negócios/projetos?

Filipe: Acordando e pensando sempre em fazer mais e melhor!

Neste momento, tenho um novo desafio. Muito recentemente fui convidado a participar num Programa televisivo do Porto Canal, os Imperdíveis, cujo objetivo é a crítica gastronómica. Apesar da sua exigência, está a ser uma experiência bastante interessante.

Todas estas atividades em que me envolvo são sempre gratificantes, porque me dão experiência, conhecimento e, ao mesmo tempo, exigem que explore as minhas capacidades noutras áreas.

 

LC: Como empresário, certamente, tens alguma dificuldade em separar a vida profissional da vida pessoal. Como é que geres esta situação?

Filipe: Na verdade, não é fácil. E consoante o tipo de negócio, temos que ser conscientes de que a nossa disponibilidade é fundamental. Neste momento, os meus negócios funcionam 24 horas por dia, o que exige muito de mim. Felizmente tenho a melhor conselheira que podia ter, a minha mulher!

 

LC: Projetos futuros?

Filipe: Há bastantes, mas temos que os pensar primeiro para concretizar com certezas. Barcelos tem muito potencial. Alguns projetos não são ainda exequíveis porque a cidade ainda não “acordou”.

Este ano, talvez haja um!

 

LC: Projetos políticos, nunca pensaste?

 

Filipe:  [Risos] É assim, todos os cidadãos são responsáveis pelo seu dever cívico (votar), coisa que metade da população portuguesa não faz. Esta parte já cumpro a 100%. Não tenho ambições políticas e não sou político, no entanto, gosto de comentar e falar sobre o panorama político regional e nacional, o que de alguma forma me torna um interessado pela política. Recebi alguns convites com os quais me senti muito lisonjeado, sobretudo pela confiança que depositaram em mim. Contudo, por motivos profissionais, não é fácil aceitar, porque não há compatibilidade. Nunca se sabe… Sou um apaixonado pela minha terra e, na eventualidade de vir a acontecer, tal como em todos os meus projetos, fá-lo-ia com toda a dedicação.

 

LC: O que te liberta no fim de um dia de trabalho intenso?

Filipe: Poder desfrutar de uma esplanada com a minha mulher e amigos. São momentos de descontração que me permitem desligar dos dias agitados de trabalho.

Paula Sampaio Duarte

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