Entrevista – Likas Cardoso

Likas_Cardoso

A determinação de Likas Cardoso destaca-o nas várias atividades a que se dedica. A persistência e a disciplina valeram-lhe, em 2004, o título de Campeão Nacional de Supercross 125 e atualmente a reputação de um dos barbeiros mais promissores da zona Norte. Vive intensamente o tempo que passa com a família e com os amigos e, por vezes, gosta de se recolher e refletir sobre o futuro. Embora já tenha abandonado as competições, sentir a adrenalina e a liberdade que andar de mota lhe proporciona é algo de que não abdica.

 

LC: Como é que um motociclista chega a esta profissão?

Likas: Por engano! Ahah quando era mais novo, em registo de aposta, era comum entre amigos pintarmos o cabelo ou mesmo cortá-lo, uns aos outros, com máquinas e tesouras de papel. Por incrível que pareça, descolorar as sobrancelhas também estava incluído. Como podem imaginar, os resultados nunca eram muito animadores, embora sempre me tenha esforçado para os deixar com um aspeto minimamente decente. Quando comecei a equacionar deixar o motociclismo, o meu amigo, cabeleireiro e patrocinador nas corridas, Renato, desafiou-me a tirar o curso de cabeleireiro, com base no meu histórico brilhante. Inicialmente a ideia pareceu-me descabida, mas depois de me debruçar sobre o assunto, decidi inscrever-me no curso. A partir daí as coisas foram escalonando… comecei a apaixonar-me pela área e a ficar entusiasmado com o trabalho. Terminado o curso fui convidado a trabalhar no Salão do Renato. Esta experiência foi fundamental na minha evolução como profissional. Quando senti que estava preparado, e com o aval dele, decidi ir mais longe e pouco tempo depois comecei a idealizar o meu espaço, à minha imagem. Foi quando nasceu o Barbeiro.

 

LC: Qual a diferença entre um barbeiro e um cabeleireiro?

Likas: Por mais que as pessoas criem distinções, um barbeiro e um cabeleireiro são praticamente a mesma coisa. A principal diferença entre os dois é que o barbeiro raspa barbas e usa técnicas, talvez menos convencionais que um cabeleireiro. Para terem uma noção da proximidade, o meu curso é de cabeleireiro (unissexo), mas aperfeiçoei-me na barbearia. A técnica que utilizo nos cabelos na parte superior é de cabeleireiro (mais profissional em termos de penteados) e nas partes inferiores de barbeiro. No fundo complementam-se.

 

LC: É habitual receberes clientes com ideias de corte pré-definidas?

Likas: Neste momento as tendências são limitadas, o que nos deixa com poucas opções. Mas sim, é frequente receber clientes que ou vêm à procura de uma opinião ou simplesmente chegam até mim com uma ideia errada. Por exemplo, já aconteceu fazer o mesmo corte a cinco clientes diferentes no mesmo dia. Em casos destes, a minha função é aconselhar e não fazer o que quero na cabeça do cliente. Claro que, sendo os cortes tão restritos a um determinado estilo, também é complicado fazer coisas diferentes, mas com um toque pessoal tudo se resolve.

 

LC: Costumas ser abordado pelos teus clientes para outro tipo de tratamentos (depilações, limpezas de pele ou cuidados das unhas)?

Likas: Não tenho esses serviços disponíveis n’o Barbeiro, mas se o cliente me pede para aparar as sobrancelhas, com a lâmina, geralmente, faço-lhe os contornos. De qualquer das formas, sugiro sempre que procurem os serviços profissionais de uma esteticista. Cortar um pêlo é diferente de arrancá-lo.

 

LC: O que é que um homem pode fazer em casa para garantir um cabelo e uma barba saudáveis?

Likas: A zona mais suja da nossa cara é sem dúvida a boca, já que está em constante utilização. Um homem que decide usar barba deve estar consciente disso e lavá-la várias vezes ao dia. Aplicar um óleo hidratante também é importante (de preferência não gorduroso, para evitar a acumulação de mais sujidade).

Quanto ao cabelo, lavar e pentear é suficiente. 😀 Se bem que quem usa o cabelo curto, deve recorrer às lavagens diárias. Quando uma pessoa de cabelo comprido, seja homem ou mulher, passa a mão no cabelo, raramente o faz junto à raiz o que lhe permite manter o aspeto seco durante mais tempo. Aqueles que usam o cabelo curto não têm a mesma sorte e, por isso, o cabelo fica gorduroso com mais facilidade.

 

LC: Tens alguma referência a nível profissional?

Likas: Não tenho exatamente uma referência, mas tenho várias casas que sigo: Toni&Guy, Schorem, Fígaros, entre outras. Se queremos estar atualizados nesta área é importante seguirmos aqueles que marcam o caminho e criam tendências a nível mundial.

 

LC: Por falar em atualizações, já tens ideia das próximas tendências?

Likas: Ainda é relativamente cedo para falar sobre essa questão, mas não vão ser boas. Ahah só em meados de outubro saberemos com toda a certeza. Neste momento os cortes estão muito focados nas décadas de 30 e 40 e acredito que para o próximo ano, os anos 80 vão entrar em força (franjas!). No entanto, deixo já a dica que muito brevemente, na Feira de Bolonha, a Papilon vai lançar uma coleção sensacional, que eu e mais dois colegas barbeiros estamos a preparar. O registo vai estar longe das franjas, os rapados não serão tão acentuados… Aguardem! 😉

Paula Sampaio Duarte

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