Entrevista – Paulo Louro

Paulo Louro

A irreverência da juventude e a vontade de arriscar transformaram o Paulo Louro no melhor fashion advisor do Alto Minho. Quando não está a transformar a imagem dos outros, está literalmente a gastar toda a energia que lhe corre no corpo, seja no futebol, na bicicleta ou na corrida. A alegria com que vive e se relaciona com os outros, o bom gosto e a confiança que transmite fazem dele um ser humano apaixonante.

 

LC: Alguma referência de um verdadeiro gentleman na tua vida?

Paulo: Não sei se lhe chame uma referência, mas houve definitivamente uma pessoa por quem sempre tive muito respeito no mundo da moda. Embora nunca tenha trabalhado com ele diretamente, o Francisco Matos era uma pessoa única, tinha uma capacidade incrível para transformar as pessoas. Essa característica tão particular, de certa forma, inspirou-me a fazer o mesmo.

Atualmente, como profissional, não posso dizer que tenha alguém como referência para o meu trabalho, limito-me a seguir o meu instinto.

 

LC: Como surgiu o gosto pela moda?

Paulo: Muito sinceramente, não estava de todo nos meus planos trabalhar neste ramo. Quando terminei o Ensino Secundário e não fui bem-sucedido no acesso ao curso superior de Educação Física decidi procurar um emprego. Preferia trabalhar durante o dia e deliciar-me a jogar futebol à noite, do que estudar algo que não fazia parte de mim. Entretanto, uma antiga professora, com lojas estabelecidas em Viana, convidou-me para trabalhar com ela. Em apenas seis meses percebi que tinha nascido para este mundo.

 

LC: Os teus amigos implicaram com esta tua faceta?

Paulo: Os cortes de cabelo irreverentes e os rasgões nas calças sempre fizeram parte do meu quotidiano, mesmo ignorando as tendências. Havia alturas em que o meu próprio pai tinha vergonha de sair à rua comigo! Esta forma de estar, muito própria por sinal, foi habituando os outros à minha diferença sem quaisquer turbulências.

 

LC: O teu estilo segue alguma linha condutora?

Paulo: Não necessariamente. Fui mudando com o tempo e vou-me adaptando às tendências. Como sou uma pessoa versátil (um camaleão, como dizemos no mundo da moda) sinto-me bem em vários registos. O mais importante é estarmos confortáveis com as opções que vamos selecionando no dia-a-dia.

 

LC: Conta-nos a história da Kapital.

Paulo: Numa determinada altura da minha vida fiquei livre profissionalmente e surgiram imensos convites. Embora as opções disponíveis fossem atrativas, não só o meu instinto me dizia que estava na altura de caminhar sozinho, mas também a minha esposa, a Zeza, que foi a minha principal incentivadora (e não podia deixar de lhe dar uma boa parte dos créditos desta aventura). Depois de muitas folhas escritas e rasuradas à procura do nome certo, finalmente soou o nome Kapital. Hoje sinto-me feliz, realizado e sei que tomei a decisão certa.

 

LC: Como consegues que o cliente volte à tua loja?

Paulo: Queremos trabalhar num nicho de mercado onde predomina a confiança e o respeito mútuo. Se primarmos por criar um outfit à volta da personalidade e gosto do cliente e, se sobretudo o fizermos com sinceridade e firmeza, ele fica satisfeito. Para isso é fundamental saber ouvir e não tirar ilações sobre as suas preferências. Quando o cliente sai da loja confortável com a sua compra e consegue a aprovação dos demais não só volta, como volta acompanhado.

 

LC: Quem escolhe os modelos que são comercializados na loja?

Paulo: Tudo o que tenho dentro da loja de homem é escolhido por mim. É uma das coisas que mais prazer me dá! Quando vou às compras, basta um relance para decidir exatamente o que quero levar. Se o modelo me impacta é inevitável que o traga comigo. Por outro lado, alguns segundos de hesitação dizem-me imediatamente que a peça não fará parte da minha coleção.

No entanto, para que fique claro, embora esta intempestividade apaixonante pareça simples, exige obviamente muita observação, pesquisa e atualização da minha parte.

 

LC: Quais as tendências para a próxima estação?

Paulo: Muito simples, tudo se veste! Basta folhear algumas revistas, fazer pesquisas online ou observar as pessoas (e este último é o segredo dos grandes costureiros). Em tom de brincadeira costumo dizer que se usa largo, justo, roto ou cosido. Quando pergunto aos clientes se se sentem bem em determinado outfit e eles começam a justificar-se muito, estão apenas à procura de desculpas para o facto de não se sentirem confortáveis. O mais importante é sentirmo-nos autênticos, se assim for a roupa fica-nos naturalmente bem.

 

LC: Tens algum cuidado especial com a tua aparência?

Paulo: Sendo eu um narcisista nato, em toda a conotação positiva que a palavra possa conter, é compreensível que tenha vários cuidados diários. Em primeiro lugar, para mim, as mãos são importantíssimas, já que ao mostrar uma peça de roupa elas ficam automaticamente em destaque. Depois disso, vem a pele, a barba e o cabelo. Relativamente à roupa, para além do bom gosto, convém que esta esteja muito bem lavada!!!

Paula Sampaio Duarte

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